Este ano tive o privilégio de trabalhar com vários grupos de professores e professoras, em contextos diferentes, todos unidos em torno de uma preocupação: melhorar o trabalho pedagógico para ajudar as crianças nas suas aprendizagem, para melhor promover o seu sucesso escolar e social.
Num grupo de formação de professores de 1º ciclo, e depois de um período de discussão acerca do “cenário pedagógica”, ilustrado com fotografias de ex-turmas de um dos formadores, foi possível, pouco a pouco, introduzir espaços específicos, áreas de trabalho ou de organização de recursos, ancorados na prática de cada um dos formandos e logo interpretado de maneira diferente por cada um dos formandos.
A força do número fez com que, três semanas depois do arranque do ano lectivo, aparecessem as primeiras fotografias das turmas apoiadas. A insistência, nas reuniões quinzenais, de debater o trabalho em curso e o registo fotográfico das várias turmas, ajudou cada um dos particpantes na sua reflexão sobre como adaptar e adaptar-se e abriu as portas aos formadores, para participarem, em contexto, nos momentos de trabalho autónomo ou trabalho de projecto.
A consequente utilização de imagens, mesmo entre professores do mesmo agrupamento, revelou-se muito importante: para muitos foi um primeiro contacto com o local de trabalho de outros colegas e com outras crianças. Habituados a encontrarem-se nas reuniões formais do agrupamento, pouca discussão existia em torno de situações de trabalho concretos, na sala de aula. De facto, mesmo quando um grupo de professores de 1º ciclo se reúne para discutir assuntos pedagógicos, cada um refere-se à sua turma, desconhecida de cada um dos outros participantes. Faz parte da especificidade do trabalho no 1º ciclo. Se nenhum estudo nega a imensa vantagem que a monodocência tem para a promoção de um currículo transversal e integrado, não deixa de ser verdade que não é possível discutir estratégias pedagógicas para uma turma da mesma forma como um conselho de turma do ensino pós-primário o faz. Fotografias e curtos momentos filmados de situações de trabalho têm-se mostrado extremamente eficazes.
Tendo a experiência num agrupamento, foi nossa intenção levar esta mesma prática para a oficina de formação de outro agrupamento inserido num contexto semelhante. Mas, enquanto no primeiro agrupamento, com muitas turmas, rapidamente apareceu material recolhido no próprio agrupamento, isto não foi o caso no segundo, muito mais pequeno. Por isso recorreu-se e voltou-se a recorrer às imagens de uma das ex-turmas de um dos formadores. Estas imagens provocaram alguma discussão, animaram muitas sessões acerca da organização do trabalho e levaram vários formandos a trazerem produtos autênticos, feitos pelos alunos, na sequência de trabalho de projecto. Porém, tardava o convite para participar na sala. Entretanto, a plataforma Moodle tornou virtualmente conhecidos os professores de agrupamentos distintos e distantes em torno da mesma oficina. Os materiais trocados são reconhecíveis: propostas de plano individual de trabalho, propostas de organização do espaço e do tempo, discussões acerca da negociação do trabalho, acerca do trabalho em projecto. Pedimos num agrupamento se podíamos mostrar no outro algumas imagens do seu tempo de trabalho autónomo. E numa nova discussão acerca do trabalho individual e do trabalho a pares, ilustrou-se com imagens do agrupamento distante, um argumento verbal. A pergunta que seguiu foi imediata: “Isto são imagens de lá?” (subentendido, não são da turma de um dos formadores?).
Perante a confirmação, a resposta foi, inesperadamente, a desde há muito esperada: “Mas isto é parecido com o que nós também já fazemos. Querem visitar a nossa sala?”
Na promoção de uma pedagogia de trabalho, de rigor e de envolvimento das crianças, para que sua a relação com o saber ganhe sentido e facilite as aprendizgens, as imagens têm-se revelado poderosos aliados. De várias maneiras....

2 comentários:
E, no entanto, ainda há quem se oponha à recolha de registo media nas salas das suas crianças.
Dei comigo a ter de explicar aos meus meninos de 1.º ano o porquê dos correspondentes serem desenhos e não pessoas retratadas em fotos no trabalho.
Alberto
Professor, sou eu o Mário Sérgio,antigo aluno seu, da antiga turma do 4 ano.
Gostava de saber o seu email, pois não estou a encontrar.
O meu email é marios_boss@hotmail.com
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